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4 min

Aborto retido: conheça os riscos e como realizar tratamento

Sumário

O aborto retido ou o abortamento incompleto é quando não existe mais batimentos cardíacos do feto e o embrião fica sem vida por semanas ou até meses dentro do útero da mãe.

Nesse sentido, o aborto retido é diferente do aborto completo, no qual o embrião, o saco gestacional e todo o resíduo são expelidos pelo corpo naturalmente. Sendo assim, no aborto retido, o embrião e os restos ovulares continuam dentro do corpo da gestante. O fenômeno, que ocorre geralmente entre a 6ª e a 14ª semana de gestação, possibilita o risco de infecção e complicações para a mulher.

Dessa maneira, se o feto não for expulso naturalmente no decorrer de 30 dias, será necessária a intervenção médica para sua retirada. Tal procedimento pode ocorrer através de estimulação medicamentosa ou de curetagem.

Vale ainda lembrar que sofrer um aborto não é fácil para a mulher, mas ainda assim é a complicação mais comum no primeiro trimestre da gestação. Nesse sentido, aproximadamente 20% das mulheres passam por uma perda gestacional no período.

Quais são os sinais do aborto retido?

A mulher pode sentir alguns sinais que indiquem que ela está sofrendo um aborto retido. Entretanto, muitas gestantes podem ser assintomáticas e passar várias semanas sem notar algum sinal. Por esta razão, é de extrema importância realizar o acompanhamento médico e todos os exames do pré-natal como a ultrassonografia e exames de sangue laboratorial.

Para as mulheres que têm sintomas de aborto retido, os sinais mais comuns são:

  • Sangramento vermelho vivo ou em cor marrom;
  • Dor pélvica;
  • Desaparecimento dos sintomas gestacionais (náuseas, vômitos, frequência urinária elevada);
  • Ausência de crescimento no volume uterino e da barriga.

Aborto retido e suas causas: confira possíveis fatores

As causas do aborto retido devem passar por análise caso a caso, já que existem diversos fatores que desencadeiam a ocorrência. As principais situações que podem levar a um aborto retido são: 

  • Malformações fetais;
  • Alterações cromossômicas;
  • Idade avançada da mulher;
  • Má nutrição durante a gravidez;
  • Uso de álcool, drogas, cigarro e alguns medicamnetos;
  • Doença da tireóide não tratada;
  • Diabetes não controlada;
  • Infecções;
  • Trauma, como acidente de carro ou quedas;
  • Obesidade;
  • Problemas no colo do útero;
  • Hipertensão severa;
  • Exposição a radiação.

Inclusive, é importante lembrar que o fato de uma mulher sofrer um aborto retido, normalmente não apresenta risco para uma futura gravidez, porém é preciso estar atenta à origem do problema. Por essa razão, o ideal é fazer um acompanhamento detalhado, descobrir as causas e tratá-las. Dessa forma, a mulher, provavelmente, terá uma próxima gestação saudável e tranqüila, sem outros eventos de aborto de repetição.

Além disso, o aconselhável do ponto de vista médico é deixar passar entre dois e três ciclos menstruais antes de tentar uma nova gravidez. Assim, o corpo da mulher terá tempo de se restabelecer e equilibrar seus hormônios para a próxima tentativa.

Tratamento do aborto retido: como acontece?

O tratamento indicado para o aborto retido pode variar de acordo com cada caso. Ele ocorre somente após a confirmação da morte do embrião através do exame de ultrassom ou de exame de sangue laboratorial. Sendo assim, é fundamental que o médico avalie os diversos aspectos referentes à saúde da mãe e mostre as diferentes formas de proceder. 

Além disso, é essencial que o ginecologista informe as vantagens e desvantagens de cada método para que a paciente possa decidir, sempre que possível, pela conduta que ela deseja. Nesse sentido, há três possibilidades: a expectante, a farmacológica e a cirúrgica. 

Confira as diferenças de cada uma:

Conduta Expectante

Uma das primeiras opções é que o próprio corpo faça a expulsão do feto e de todo o resíduo contido dentro do útero através de medicamentos. Contudo,sem a necessidade de internação. Neste método, é muito importante que haja um controle e acompanhamento rigoroso para evitar que a mulher tenha infecções.

Nesse sentido, a conduta expectante tem taxas de sucesso bastante variáveis, portanto, deve-se avaliar o estado psicológico da paciente. Todavia, essa espera só pode durar por um tempo, uma vez que processos infecciosos podem surgir.

Conduta Farmacológica

Outra opção para o tratamento de aborto retido é o de internar a paciente e fornecer medicamentos à base de ocitocina para provocar contrações uterinas. Dessa forma, a mãe passa por uma situação parecida com a de um parto normal e, assim, o embrião e os resíduos são expelidos.E ssa conduta, portanto, reduz o risco decorrente de processos cirúrgicos e da anestesia. Entretanto, diferente da curetagem, o tempo de sangramento é maior.

Conduta Cirúrgica: curetagem uterina ou por aspiração manual intra-uterina

A conduta cirúrgica acontece em hospital e com anestesia. Nesse sentido, baseia-se principalmente na técnica de dilatação uterina e curetagem. É um processo de limpeza e esvaziamento uterino onde um procedimento de raspagem garante a eliminação de todo resíduo. 

Tal processo também pode ser feito por aspiração de forma manual com a ajuda de uma seringa, através do qual o resíduo é aspirado. Existem casos, ainda, onde se indica o uso dos dois procedimentos para garantir que se retirem os restos ovulares e a placenta.

Dessa forma, a cirurgia diminui significativamente o tempo de tratamento, que é bastante doloroso para a mãe. Entretanto, vale destacar que é um procedimento invasivo e pode provocar consequências na mulher.

Curetagem: quando é necessário fazer?

A curetagem é eficaz em quase 100% dos casos de aborto retido. Por esta razão, se o tratamento expectante e farmacológico não derem certo e quatro semanas depois do diagnóstico o feto ainda estiver retido, é necessário internar a paciente para realizar a curetagem. 

Nesse sentido, a raspagem uterina traz riscos anestésicos, de perfuração uterina ou formação de sinéquias. Nesses casos, pode levar a alterações estruturais do colo uterino, associadas a futuras perdas gestacionais. Mas, em geral, os riscos são baixos e o procedimento é feito de maneira segura e eficaz.

Dessa forma, indica-se a curetagem para as pacientes que não conseguiram expelir o feto e que apresentam sangramentos importantes ou sinais de infecção. Sendo assim, as opções são curetagem tradicional, com cureta fenestrada,ou aspiração manual a vácuo (AMIU).

Após o procedimento, um patologia analisa parte do material, que tentará determinar a causa do aborto.

Riscos do aborto retido para a saúde

O aborto retido pode trazer riscos graves para a saúde da mulher. Por essa razão, se o tratamento da ocorrência não acontecer devidamente ou se o diagnóstico for demorado, há grandes chances da paciente apresentar problemas. Entre eles, a mulher pode ter infecção, sangramentos, desenvolver sensibilidade do sistema Rh, infertilidade por lesão de trompa de falópio.

Também vale lembrar que sofrer um aborto espontâneo ou retido não é algo tão incomum. Por isso, é imprescindível fazer o acompanhamento médico e todos os exames gestacionais para evitar complicações.

Ainda, é importante ressaltar que a partir do momento que a gestante sofre dois ou mais abortos, investigar algumas deficiências, como de enzimas, colágenos, proteínas e coagulograma, se faz necessário. Por último, o médico também deve checar outras possíveis causas de infertilidade feminina.


Revisado por:
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Dra. Simone Mattiello - CRM 23.094

  • Publicado em 14 de outubro, 2020
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