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7 min

Taxa de hormônio: entenda sua influência na fertilidade

Sumário

A taxa de hormônio tem papel decisivo na fertilidade feminina  e masculina. Esses níveis influenciam o ciclo menstrual, a ovulação, a qualidade dos óvulos, a produção espermática e até a resposta a tratamentos como a FIV. Entender essas variações ajuda a reconhecer o melhor momento para engravidar e a identificar quando investigar a saúde reprodutiva.

Este conteúdo funciona como um guia para quem busca informações confiáveis sobre hormônios e fertilidade, reunindo explicações claras e links para aprofundamentos específicos no site da Nilo Frantz. Aqui, você encontrará uma visão completa, acolhedora e científica sobre o tema, com base em fontes de referência e na experiência clínica de especialistas.

O que é taxa de hormônio e por que ela importa?

Os hormônios são mensageiros químicos que regulam funções do corpo como o ciclo menstrual, a ovulação, a fase lútea e a produção dos espermatozoides. Nesse sentido, a taxa hormonal representa a quantidade circulante dessas substâncias no organismo, e suas variações influenciam diretamente na fertilidade. 

Portanto, manter um equilíbrio é importante para que a ovulação aconteça de forma adequada e para que a saúde reprodutiva masculina e feminina permaneça estável.

Confira mais informações sobre o assunto.

Quais são os principais hormônios ligados à fertilidade?

É fundamental compreender que cada hormônio cumpre uma função específica no ciclo reprodutivo, e a análise conjunta das taxas hormonais orienta diagnósticos e decisões clínicas. Por isso, conhecer o papel de cada marcador é um passo importante para quem busca engravidar.

FSH (Hormônio Folículo-Estimulante)

O  FSH estimula o crescimento dos folículos e mostra como está a função ovariana. Taxas alteradas podem sugerir baixa reserva ou dificuldades para ovular.

LH (Hormônio Luteinizante)

O pico de LH desencadeia a ovulação e auxilia a formação do corpo lúteo, responsável pela produção de progesterona. O pico de LH é fundamental para identificar o período fértil.

Estradiol 

O estradiol regula o desenvolvimento folicular, a espessura endometrial e reflete a qualidade folicular. É um marcador indireto da resposta ovariana.

Progesterona

A progesterona é essencial para a implantação e manutenção inicial da gestação. Níveis adequados na fase lútea são essenciais para a evolução inicial da gravidez.

Prolactina

A prolactina alta pode interferir na ovulação ao inibir o eixo reprodutivo, podendo levar a ciclos irregulares. Seu equilíbrio é importante para a regulação menstrual.

AMH — Hormônio Anti-Mülleriano

O AMH reflete a reserva ovariana e auxilia no planejamento reprodutivo. Ele não varia significativamente ao longo do ciclo, o que facilita sua avaliação.

TSH — Hormônio Estimulante da Tireoide

O TSH influencia diretamente o ciclo menstrual e a ovulação. Alterações tireoidianas podem impactar o ciclo menstrual, podendo afetar a fertilidade feminina e masculina.

Testosterona (no contexto masculino)

A testosterona participa da formação e maturação dos espermatozoides. Níveis inadequados em nível intratesticular podem prejudicar a qualidade seminal.

Para aprofundar a avaliação e entender como esses hormônios são medidos, confira mais informações em Exames hormonais femininos

Qual a taxa hormonal ideal para engravidar?

As taxas hormonais ideais não são iguais para todas as pessoas, elas variam conforme a idade, o momento do ciclo menstrual e o histórico clínico. Desta forma, entender como cada hormônio age no organismo é fundamental para interpretar exames e identificar se o corpo está preparado para uma gestação.

Esses hormônios funcionam como marcadores importantes, mas não substituem uma avaliação médica detalhada. Assim, cada valor deve ser analisado dentro do contexto do paciente.

Para quem deseja aprofundar esse entendimento, vale conferir conteúdos como o funcionamento do ciclo menstrual e sua relação com a fertilidade e como utilizar o teste de ovulação para identificar o período fértil.

Abaixo veja tabela orientativa de níveis hormonais

  • FSH (3º dia do ciclo menstrual): 3 a 10 mUI/mL
  • Estradiol (3º dia do ciclo menstrual): 25 a 75 pg/mL
  • Progesterona (fase lútea – período pós-ovulação):  acima de 3 ng/mL confirma ovulação e >10 ng/ml fase lútea adequada
  • Prolactina: 4 a 23 ng/mL
  • TSH: 0,4 a 4,0 mUI/L, sendo desejável <2,5 em contexto reprodutivo
  • AMH: valores variam conforme idade, sendo interpretado como marcador de reserva ovariana e não de fertilidade isolada.

Quando a taxa de hormônio está alterada? Sinais e sintomas

Geralmente o corpo costuma dar sinais quando há um desequilíbrio hormonal, mas nem sempre esses sinais são óbvios. Sendo assim, em algumas situações, as alterações só são percebidas através de exames específicos e por isso, investigar no momento certo faz toda a diferença na saúde reprodutiva.

Entre os sintomas mais comuns de alterações hormonais femininas, estão:

  • Ciclos menstruais irregulares ou muito longos/curtos;
  • Ausência de ovulação (anovulação);
  • Sangramentos fora do período menstrual;
  • Dificuldade para engravidar;
  • Sintomas intensos de TPM ou mudanças repentinas de humor;
  • Diminuição da libido;
  • Queda de cabelo, acne ou alterações na pele;
  • Dor pélvica crônica quando associada a distúrbios ginecológicos hormonais.

Nos homens, os desequilíbrios hormonais também podem afetar a fertilidade e a saúde sexual, manifestando-se como:

  • Redução da libido;
  • Disfunção erétil quando associada a distúrbios hormonais;
  • Cansaço excessivo;
  • Diminuição da massa muscular;
  • Alterações no espermograma (como baixa contagem ou motilidade dos espermatozoides);
  • Ganho de peso ou acúmulo de gordura abdominal.

Desta forma, a investigação deve ser individualizada conforme contexto clínico porém dosagens hormonais como FSH, LH, estradiol, testosterona, AMH, TSH e progesterona. têm papel fundamental na investigação da fertilidade do casal.

Como identificar e tratar alterações hormonais?

Como já mencionamos, os hormônios são responsáveis por coordenar todo o ciclo reprodutivo, desde a ovulação, à fase lútea, à formação do endométrio, até a qualidade dos espermatozoides. Por isso, quando algum deles está desequilibrado, o corpo pode apresentar sinais, mas também pode permanecer silencioso, tornando os exames hormonais uma parte fundamental da avaliação.

Além disso, é preciso utilizar estratégias que ajudam a melhorar a saúde reprodutiva, como relatado no conteúdo Como aumentar a fertilidade.

A seguir, você encontra um passo a passo desde a investigação até o início do tratamento. O objetivo é orientar quem está buscando compreender melhor seu ciclo, identificar irregularidades e receber o suporte adequado de especialistas.

1) Quando iniciar a investigação

Para mulheres com menos de 35 anos, a investigação costuma ser recomendada após um ano de tentativas sem contraceptivos. Já para aquelas com 35 anos ou mais, esse período reduz para seis meses. Essa avaliação é importante para identificar e tratar tanto alterações hormonais femininas quanto possíveis fatores masculinos que podem influenciar a fertilidade.

2) Passo a passo da investigação (clínica + exames)

  1. Avaliação clínica inicial
    • História detalhada (ciclos menstruais, uso de anticoncepcionais, medicamentos, cirurgias, doenças crônicas, histórico reprodutivo familiar) e exame físico (sinais de hiperandrogenismo, tireoide, sinais de insuficiência ovariana, etc.). 
  2. Exames laboratoriais hormonais
    • FSH e Estradiol : geralmente colhidos no 2º–4º dia do ciclo (avaliam função ovariana e fase folicular).
    • AMH (Anti-Mülleriano) : pode ser feito em qualquer fase do ciclo; usado para avaliar reserva ovariana (uma vez, ou repetido se houver mudança clínica).
    • Progesterona sérica: colhida na fase lútea (cerca de 7 dias após a ovulação) para confirmar a ovulação.
    • TSH (função tireoidiana) e Prolactina: checagem rotineira porque alterações tireoidianas e hiperprolactinemia afetam a ovulação.
    • Testosterona total / androgênios: indicado se houver sinais de excesso androgênico (acne, hirsutismo).
    • Espermograma : avaliação inicial do parceiro masculino; idealmente realizado cedo na investigação.

  3. Exames de imagem e complementares
    • Ultrassom transvaginal (avalia folículos, ovários, alterações uterinas).
    • Histerossalpingografia (HSG) ou histerossonografia para investigação da permeabilidade tubária e cavidade uterina quando indicado.
    • Avaliação genética ou imunológica quando houver história sugestiva, como histórico de perdas gestacionais recorrentes, falhas repetidas de implantação ou achados clínicos sugestivos.

3) Interpretação e necessidade de especialistas

O ginecologista (ou obstetra) costuma conduzir a primeira investigação. Quando há alterações hormonais complexas ou necessidade de tratamentos específicos, recomenda-se o encaminhamento a endocrinologista (para distúrbios hormonais sistêmicos) ou a um especialista em reprodução assistida, conforme complexidade do caso.

4) Opções terapêuticas

a) Ajustes no estilo de vida 

  • Peso corporal: perda de 5–10% do peso em mulheres com sobrepeso/obesidade melhora a ovulação (especialmente em SOP).
  • Exercício regular, sono adequado, redução de álcool e cessação do tabagismo.
  • Suplementação nutricional se houver deficiência de ácido fólico, avaliar vitamina D, sempre com orientação médica.

b) Tratamentos medicamentosos

  • Indução de ovulação oral: letrozol (inibidor de aromatase) é atualmente frequentemente preferido como primeira linha para ovulação em anovulação por SOP; clomifeno ainda é usado e pode ser eficaz em vários casos.
  • Gonadotrofinas injetáveis: usadas quando indução oral falha ou no planejamento de tratamentos de reprodução assistida; exigem monitorização rigorosa por ultrassom devido ao risco de hiperestímulo e de gestação múltipla e exames de sangue.
  • Reposição hormonal (estrógeno/progesterona) ou uso de progesterona luteal quando há insuficiência lútea comprovada por exames.
  • Correção de causas específicas: tratamento da hiperprolactinemia, controle da tireoide, cirurgia para lesões uterinas/ovarianas quando indicado.

c) Técnicas de Reprodução Assistida

  • Inseminação intrauterina (IIU) com estimulação com indutores de ovulação no caso de infertilidade masculina leve ou infertilidade sem causa aparente.
  • Fertilização in vitro (FIV) em casos de falha de outras terapias, fator tubário bilateral ou fator masculino severo. 

Qual a relação entre taxa hormonal e tratamentos de fertilidade?

Nos tratamentos de fertilidade como FIV, Inseminação Artificial  ou congelamento de óvulos,  o acompanhamento das taxas hormonais é fundamental. São esses níveis que mostram como os ovários respondem, se há ovulação adequada e qual protocolo oferece melhores chances de sucesso.

Sobre as taxas de hormônios femininos:

  • Baixa reserva ovariana (AMH baixo / FSH alto):
    Indica redução da reserva ovariana, menor quantidade de folículos disponíveis por ciclo, insuficiência ovariana incipiente e pior resposta à estimulação ovariana, portanto auxilia na escolha do protocolo de estímulo na FIV e decisão sobre congelamento de óvulos.
  • Disfunção ovulatória (progesterona baixa, alterações de LH ou prolactina):
    Interfere na programação da ovulação para IUI e define a necessidade de controle hormonal mais preciso na FIV.
  • Estímulo hormonal na FIV:
    Os níveis de FSH, LH e estradiol mostram se a dose está adequada, quando realizar o trigger e definir o momento ideal para a coleta dos óvulos.
  • Preparo do endométrio:
    Estradiol e progesterona garantem respectivamente crescimento e receptividade endometrial adequados para a implantação do embrião, etapa essencial da FIV.

É importante esclarecer que cada hormônio orienta decisões clínicas, desde o tipo e a dose das medicações até o melhor momento de cada etapa. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar, incluindo ginecologista, endocrinologista e especialista em reprodução assistida.

Para aprofundar sobre o assunto, veja mais informações no conteúdo Como aumentar a fertilidade.

Conclusão

Compreender as taxas hormonais é importante para interpretar o funcionamento do sistema reprodutivo e reconhecer possíveis desequilíbrios.  Nesse sentido, quando você entende como seu corpo funciona, passa a participar das decisões que podem levar a uma gestação saudável.

Da mesma forma, o acompanhamento especializado, seja com ginecologista, endocrinologista ou uma equipe de reprodução assistida, faz toda a diferença nos resultados. Cada organismo reage de forma única, e contar com profissionais experientes garante avaliações precisas, tratamentos personalizados e mais segurança em cada etapa da jornada.

Se você deseja aprofundar seu conhecimento, explore os conteúdos completos sobre ciclo, hormônios e fertilidade. E, quando sentir que é o momento certo, agende uma consulta na Nilo Frantz Medicina Reprodutiva para receber orientação individualizada. Há caminhos reais, seguros e cientificamente sólidos para quem tem o sonho de ter um filho.

Veja mais informações em REPRODUÇÃO ASSISTIDA: Os tratamentos que geram novas possibilidades para a vida

Revisado por
Dra. Vitória Piccinini - CRM 45.992
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