Conteúdo atualizado em 27/08/2026.
A laqueadura tubária é um método de contracepção considerado definitivo. O procedimento interrompe ou bloqueia as tubas uterinas, estruturas que conectam os ovários ao útero e que desempenham papel importante no encontro entre óvulo e espermatozoide.
Embora seja altamente eficaz, a laqueadura não significa que uma nova gravidez seja impossível. Quando uma mulher que realizou a esterilização deseja engravidar novamente, existem duas principais possibilidades: a reversão da laqueadura, em casos selecionados, ou a fertilização in vitro (FIV).
A escolha entre essas alternativas deve ser individualizada e considerar a idade, a reserva ovariana, a técnica utilizada na laqueadura, as condições das tubas e do útero, o tempo reprodutivo disponível e a presença de outros fatores de infertilidade.
A reversão da laqueadura
A reversão da laqueadura é uma cirurgia realizada para restabelecer a continuidade das tubas uterinas. Trata-se de um procedimento delicado, geralmente realizado com técnica microcirúrgica, e sua possibilidade depende principalmente de quanto da tuba permanece saudável após a esterilização.
Nem todos os tipos de laqueadura podem ser revertidos. Quando houve remoção extensa das tubas, como em determinadas técnicas de salpingectomia, pode não existir segmento tubário suficiente para uma reconstrução funcional.
Além da técnica utilizada na esterilização, alguns fatores influenciam o prognóstico:
- Idade da mulher;
- Reserva ovariana;
- Comprimento e qualidade das tubas remanescentes;
- Local em que a tuba foi interrompida;
- Presença de aderências ou outras alterações pélvicas;
- Qualidade do sêmen do parceiro;
- Presença de endometriose ou outros fatores de infertilidade;
- Experiência da equipe responsável pela cirurgia.
Por isso, antes de indicar uma reversão, é importante realizar uma avaliação completa do casal.
Taxas de sucesso: o que os dados dizem
As taxas de gravidez após a reversão variam consideravelmente entre os estudos. Não existe uma porcentagem única que possa ser aplicada a todas as mulheres.
A idade é um dos fatores prognósticos mais importantes, principalmente porque a fertilidade feminina diminui progressivamente com o passar dos anos, independentemente da condição das tubas.
Também é importante diferenciar taxa de gravidez de taxa de nascimento de um bebê. Nem toda gravidez evolui para nascimento, e por isso números de estudos diferentes não devem ser comparados diretamente sem conhecer exatamente qual desfecho foi avaliado.
De forma geral, os melhores resultados tendem a ocorrer em mulheres mais jovens, sem outros fatores de infertilidade e quando a técnica utilizada na laqueadura preservou uma quantidade adequada de tuba para reconstrução.
A decisão, portanto, não deve ser baseada apenas no tempo desde a laqueadura ou em uma porcentagem isolada.
FIV após laqueadura: quando é a melhor escolha?
A fertilização in vitro apresenta uma importante vantagem: não depende da passagem dos óvulos e espermatozoides pelas tubas uterinas.
Na FIV, os óvulos são obtidos diretamente dos ovários por meio da aspiração folicular. Depois, a fertilização ocorre no laboratório e, posteriormente, um embrião é transferido para o útero.
Por isso, não é necessário desfazer a laqueadura para realizar FIV.
A FIV pode ser especialmente considerada quando:
- A mulher tem idade mais avançada;
- Existe baixa reserva ovariana ou outro fator relacionado à fertilidade;
- As tubas foram muito danificadas ou removidas;
- Existe fator masculino associado;
- Há endometriose ou outras condições que dificultam a concepção natural;
- A mulher deseja evitar uma nova cirurgia;
- Houve falha de uma tentativa anterior de reversão;
- O tempo reprodutivo disponível é um fator importante.
Em algumas situações, a FIV pode proporcionar uma estratégia mais rápida e previsível do que realizar a reversão e posteriormente aguardar a ocorrência de uma gestação espontânea.
Reversão ou FIV: qual é melhor?
Não existe uma resposta única. A reversão tubária pode ser uma alternativa interessante para mulheres mais jovens, com boa reserva ovariana, sem outros fatores importantes de infertilidade e cuja anatomia tubária seja favorável.
Já a FIV pode ser mais adequada quando existe idade mais avançada, alteração importante das tubas, baixa reserva ovariana, fator masculino ou outros fatores que já indiquem a necessidade de reprodução assistida.
Outro ponto importante é o projeto reprodutivo do casal. Uma mulher que deseja ter mais de um filho pode, em determinadas circunstâncias, considerar a reversão tubária, pois ela possibilita novas tentativas de concepção natural. Por outro lado, quando o objetivo é uma gestação em um período mais curto, a FIV pode ser uma alternativa mais eficiente. A decisão deve ser individualizada após avaliação médica.
Na Nilo Frantz, ao avaliar uma mulher que deseja engravidar após a laqueadura, analisamos sua idade, reserva ovariana, histórico reprodutivo, técnica utilizada na esterilização, condições das tubas e do útero e possíveis fatores de infertilidade do casal.
A partir dessas informações, podemos discutir de forma individualizada se a reversão tubária ou a fertilização in vitro oferece a estratégia mais adequada para o projeto reprodutivo daquela paciente.
Se você fez uma laqueadura e deseja engravidar novamente, agende uma consulta com nossos especialistas para avaliar suas possibilidades.
Perguntas frequentes sobre gravidez após laqueadura
- A FIV funciona mesmo com a laqueadura?
Sim. A laqueadura não impede a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos ou a fertilização em laboratório.
Os óvulos são coletados diretamente dos ovários e, após a fertilização, o embrião é colocado dentro do útero. Portanto, as tubas uterinas não precisam estar funcionando para que a FIV seja realizada.
A chance de sucesso da FIV, por sua vez, depende de diversos fatores, principalmente da idade da mulher, reserva ovariana, quantidade e qualidade dos óvulos e embriões e características do tratamento.
Por isso, não é adequado aplicar uma única taxa de sucesso de FIV a todas as pacientes.
- E os testes genéticos dos embriões?
Durante um tratamento de FIV, pode existir a possibilidade de realizar teste genético pré-implantacional para aneuploidias (PGT-A) em situações selecionadas.
O PGT-A avalia alterações no número de cromossomos dos embriões e pode fornecer informações adicionais para a decisão sobre quais embriões serão transferidos.
Entretanto, o PGT-A não é indicado rotineiramente para todas as pacientes e não deve ser apresentado como uma garantia de aumento das chances de gravidez. Sua indicação deve ser discutida individualmente, considerando idade, histórico reprodutivo, número de embriões disponíveis e características do casal.
- Depois da reversão, quanto tempo é preciso esperar para engravidar?
O período de recuperação deve ser definido pelo cirurgião de acordo com a técnica utilizada e a evolução de cada paciente.
Após a liberação médica, as tentativas de gravidez podem ser iniciadas naturalmente.
Caso a gestação não aconteça, o momento para investigar novamente a fertilidade não precisa necessariamente ser o mesmo utilizado para casais sem história de infertilidade. A idade da mulher e suas condições reprodutivas devem ser consideradas para definir quanto tempo é adequado aguardar.
- Existe risco de gravidez ectópica?
Sim. Uma gravidez pode ocorrer mesmo após uma laqueadura, embora isso seja incomum. Quando ocorre uma gestação após esterilização tubária ou após sua reversão, existe preocupação especial com a possibilidade de gravidez ectópica, quando o embrião se implanta fora da cavidade uterina, geralmente na tuba.
Após um teste de gravidez positivo, é importante realizar acompanhamento médico precoce para confirmar a localização da gestação.
Dor abdominal ou pélvica, sangramento vaginal, tontura ou desmaio associados a um teste de gravidez positivo exigem avaliação médica imediata.
- A laqueadura pode “se desfazer” sozinha?
A falha da esterilização tubária é rara, mas pode acontecer.
Isso não significa que a laqueadura simplesmente “desapareça” ou que as tubas necessariamente voltem ao funcionamento normal. A gravidez pode ocorrer por falha do método ou, em situações muito raras, por recanalização espontânea.
Por isso, uma mulher que realizou laqueadura e apresenta atraso menstrual ou sintomas de gravidez deve fazer um teste e procurar avaliação médica.
- Afinal, quem fez laqueadura pode engravidar novamente?
Sim. Quando existe desejo de uma nova gestação, a mulher pode ser avaliada para duas estratégias principais:
1. Reversão da laqueadura:
uma cirurgia que busca restabelecer a continuidade das tubas, indicada apenas quando existem condições anatômicas favoráveis e quando o perfil reprodutivo da mulher torna essa estratégia adequada.
2. Fertilização in vitro:
uma técnica de reprodução assistida que permite a fertilização dos óvulos em laboratório e não depende do funcionamento das tubas.
A melhor escolha depende da história de cada paciente.