Os tratamentos de preservação da fertilidade oferecem para homens e mulheres a possibilidade de adiar a decisão de ter filhos.
Desta forma, o material genético (gametas e embriões) são congelados, protegendo a capacidade reprodutiva masculina e feminina. Assim, no futuro, quando o momento certo chegar, é possível chegar a gravidez com técnicas de Reprodução Assistida como a Fertilização In Vitro (FIV).
Mas afinal, o que é a preservação da fertilidade? Qual objetivo? Para quem é indicado? Como é realizada? Leia o texto e tire suas dúvidas sobre este tema.
O que é preservação da fertilidade?
A preservação da fertilidade é uma técnica da reprodução humana para assegurar, por tempo mais longo, a capacidade reprodutiva de homens e mulheres.
Nesse sentido, o objetivo é armazenar gametas femininos (óvulos), masculinos (espermatozoides) e embriões para futuramente serem usados para gerar um bebê. Desta forma, o principal tratamento disponível é a criopreservação.
Assim, é importante saber que a fertilidade, principalmente a feminina, decai drasticamente com o passar dos anos. Mesmo assim, seja por motivos pessoais, profissionais, ou de saúde, muitas pessoas deixam para ter filhos mais tarde.
Desta forma, preservar a fertilidade ainda na juventude é uma forma de “driblar” o relógio biológico, e ganhar mais tempo para decidir “se” e “quando” é a hora certa de ter um filho.
E o que faz perder a fertilidade?
Quando falamos em preservação da fertilidade, é importante ressaltar que a idade é uma das principais causas do declínio da capacidade reprodutiva. Embora o passar dos anos também impacte na fertilidade masculina, na feminina ela é determinante.
Isto porque a mulher já nasce com todo seu estoque de óvulos que vai diminuindo em número e qualidade com o tempo. Desta forma, estima-se que ao nascer a menina tenha entre 1 e 2 milhões de óvulos e, na primeira menstruação, já sejam cerca de 400 mil. A partir daí, a mulher gasta cerca de 1000 óvulos por mês para que apenas um seja liberado na ovulação.
Já o homem, após a puberdade, segue produzindo espermatozoides por toda a vida.
Entretanto, além da idade, outros fatores como obesidade, ansiedade e estresse podem impactar negativamente na capacidade reprodutiva.
Veja outros fatores que podem prejudicar a fertilidade:
Doenças no aparelho reprodutor
Alterações em diferentes partes do aparelho reprodutor feminino podem prejudicar a fertilidade da mulher. Nesse sentido, as mais comuns são os miomas e pólipos no útero, os cistos no ovários, problemas nas tubas uterinas e endometriose.
Já a fertilidade masculina frequentemente é afetada por situações como varicocele, infecções como prostatite e epididimite, além de alterações genéticas.
Problemas hormonais
Os hormônios sexuais femininos como estrógeno e progesterona têm papel fundamental no controle da menstruação da mulher e podem atrapalhar as chances de uma gravidez se estiverem descontrolados. Além disso, o aumento da prolactina e problemas na tireoide (hipotireoidismo e o hipertireoidismo) também podem prejudicar a ovulação e o ciclo menstrual.
Medicamentos
Sabemos que algumas medicações ajudam por um lado, mas podem prejudicar por outro.
Nesse sentido, alguns remédios indicados para epilepsia, depressão e ansiedade podem alterar o ciclo menstrual, impactando na fertilidade da mulher.
Desta forma, é importante contar com acompanhamento de um especialista para decidir se é indicado ou não parar de tomar.
Fumo e álcool
Estudos mostram que o tabagismo e o álcool em excesso não fazem bem à saúde geral e interferem na fertilidade feminina e masculina, especialmente quando associados. Por isso, não fumar e diminuir bastante o consumo de álcool são indicados para quem está pensando em ter filhos e quer preservar a fertilidade.
Estilo de vida
O estilo de vida do indivíduo afeta diretamente a fertilidade. Desta forma, ter uma alimentação saudável, praticar atividades esportivas moderadas regularmente, dormir bem e cuidar do peso aumentam as chances de gravidez.
Para quem a preservação da fertilidade é indicada?
A preservação da fertilidade é indicada em diferentes situações nas quais há vontade ou necessidade médica de criopreservar óvulos, espermatozoides ou embriões jovens para serem utilizados futuramente.
Veja quando o tratamento de preservação da fertilidade é indicado:
- Para mulheres que querem adiar a maternidade e serem capazes de se tornar mães com seu próprio patrimônio genético;
- Homens e mulheres diagnosticados com câncer que irão passar por tratamento com quimio ou radioterapia;
- Pacientes com doenças autoimunes que precisem de quimioterapia ou de transplante de medula óssea;
- Homens que desejam realizar vasectomia e querem assegurar sua capacidade reprodutiva;
- Mulheres com risco de cirurgia ovariana repetida, como no caso da endometriose;
- Homens que serão submetidos à cirurgias na uretra, na próstata ou na bexiga, além da retirada de testículos;
- Para homens que atuam em profissões de risco, como mergulhadores profissionais, ou que ficam expostos a agentes químicos ou a metais pesados;
- Para mulheres com risco de falência ovariana prematura.
Como a preservação da fertilidade funciona?
A preservação social da fertilidade é feita através de uma técnica avançada de reprodução humana, chamada de congelamento ou criopreservação. Nesse sentido, o método usado é o da Vitrificação que assegura resultados excelentes nos tratamentos de Fertilização In Vitro (FIV).
Isto porque a rapidez com que atinge a baixa temperatura de -196º, produz um estado vítreo no embrião ou nos gametas que impede a formação de cristais de gelo e danos celulares. Após a vitrificação, o material fica armazenado em tanques de nitrogênio líquido, por tempo indeterminado, até serem usados ou doados.
Desta forma, o congelamento representa grandes chances de sucesso para quem busca ajuda da medicina reprodutiva para ter um filho.
Cabe ressaltar que a preservação da fertilidade em pacientes com câncer pode ser feita de forma mais rápida, quando não há tempo para realizar a estimulação ovariana tradicional. Isto porque o tratamento com hormônios começa nos primeiros dias da menstruação (fase folicular precoce) e leva cerca de 12 dias, ocorre a coleta dos óvulos.
Por isso, quando não há tempo a perder se usa o Duostim, protocolo de dupla estimulação ovariana realizado durante o mesmo ciclo menstrual da mulher. Desta forma, são feitos dois tratamentos de estímulo ovulatório dentro de um único ciclo feminino, possibilitando assim duas coletas de óvulos no mesmo período.
É importante mencionar que a criopreservação de óvulos, espermatozoides e embriões para preservação social da fertilidade, bem como para a preservação da fertilidade em pacientes com câncer, não altera a qualidade do material. Desta forma, podem ficar armazenadas por tempo indeterminado.
Preservação da fertilidade feminina
Como vimos, a preservação da fertilidade feminina oferece a possibilidade da mulher ter um filho biológico, independentemente da sua idade. Nesse sentido, o processo inicia alguns exames como avaliação da reserva ovariana, para mensurar a quantidade de óvulos que mulher tem. Além disso, são feitos testes hormonais e exames gerais que podem averiguar o potencial de resposta do ovário quanto à quantidade de óvulos coletados.
O próximo passo do tratamento é a estimulação ovariana realizada através de medicamentos hormonais. O objetivo é estimular o desenvolvimento de mais folículos dentro do mesmo ciclo.
Desta forma, o acompanhamento é feito periodicamente através de ultrassonografia transvaginal que indica o momento ideal para realizar a coleta por punção folicular. Depois disso, os óvulos passam pelo processo de vitrificação e ficam armazenados em tanque de nitrogênio líquido a -196 graus.
Assim, futuramente, os óvulos congelados podem ser descongelados e fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro ou de um doador. Também há a opção de congelar os embriões já fertilizados.
Nesses casos, após a coleta dos óvulos é realizada a fecundação em laboratório utilizando espermatozoides do parceiro ou de banco de esperma. Desta forma, os embriões resultantes da FIV são criopreservados.
Preservação da fertilidade masculina
Assim como as mulheres, os homens também podem preservar sua fertilidade através da vitrificação de espermatozoide ou de embriões. Nesse sentido, independente do motivo, seja pré vasectomia, antes de tratamento oncológico, ou apenas por segurança, o homem encontra na criopreservação a forma de postergar a paternidade.
Nesse sentido, o processo para preservar a fertilidade masculina também começa com alguns exames como o espermograma que avalia critérios como morfologia e motilidade dos gametas masculinos.
A próxima etapa é a coleta dos espermatozoides que acontece a partir da masturbação. Entretanto, quando eles não estão presentes no sêmen ejaculado (azoospermia), podem ser ainda capturados diretamente do epidídimo ou dos testículos, por abordagens cirúrgicas minimamente invasivas.
Assim, uma vez coletados, os gametas masculinos podem ser criopreservados por vitrificação, em temperaturas extremamente baixas e também ficam armazenados por tempo indeterminado em nitrogênio líquido.
Por outro lado, se a intenção for congelar embriões, o esperma coletado é preparado e usado para Fertilização In Vitro de óvulos da parceira ou doados. Desta forma, são formados embriões que já podem ser transferidos ao útero ou criopreservados.
7 hábitos de vida que ajudam a preservar a fertilidade
Algumas ações diárias e simples podem ajudar homens e mulheres a preservar a fertilidade. Nesse sentido, ter hábitos saudáveis impacta positivamente no combate à infertilidade, e aumentam as chances de sucesso na hora de tentar uma gravidez.
Veja os hábitos importantes para preservar a fertilidade:
Regule o seu peso
Estar distante do peso ideal pode acarretar um papel fundamental sobre a fertilidade. Nesse sentido, pode desregular o ciclo menstrual da mulher, e também acarretar riscos para uma gestação. Sendo assim, mantenha seu peso em dia por meio de uma alimentação balanceada e saudável.
Livre-se do hábito de fumo
A presença de fumo no dia a dia produz sérios danos à fertilidade. Além de poder adiantar a menopausa, pode alterar também os hormônios e destruir a reserva de óvulos na mulher, afetando a sua qualidade. É essencial deixar o hábito de lado para uma gestação saudável e segura.
Controle a ingestão de álcool
Quando ingerido em excesso, o álcool atua como uma substância tóxica, causando danos ao tecido do ovário e testículo. Além disso, pode contribuir diretamente para a impotência sexual. Em mulheres, pode provocar a entrada precoce na menopausa.
Faça exercícios
Praticar exercícios em uma rotina regular aumenta o metabolismo, fazendo com o que o corpo funcione muito melhor. Além disso, os sistemas reprodutivos e digestivos atuam de forma mais harmônica.
Mas cuidado com a intensidade. O baixo peso corporal pode levar a níveis de estrogênio reduzidos.
Pegue sol
Pegar sol aumenta a absorção de vitamina D, além de reforçar o sistema imunológico e ainda ajudar a aumentar as chances do embrião ser implantado no útero. O recomendado é entre 10 e 15 minutos.
Cuide do estresse
A saúde emocional é essencial para a fertilidade. Os altos níveis de estresse influenciam na queda da produção de hormônios. Por isso, mantenha atividade dentro do seu cotidiano que te permitam uma válvula de escape para momentos estressantes.
Durma bem
O momento do sono deve ser plenamente respeitado para que o corpo consiga retomar suas energias e trabalhe em sua estabilização hormonal.
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