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Fertilidade – Nilo Frantz – Medicina Reprodutiva

  • Tratamentos Oncológicos e Impacto na Fertilidade: Um Guia Completo

    Tratamentos Oncológicos e Impacto na Fertilidade: Um Guia Completo

    Você sabe quais os tratamentos oncológicos que mais afetam a fertilidade?  Na realidade, muitos procedimentos  usados no combate ao câncer podem afetar a fertilidade masculina e feminina. Nesse sentido,  os riscos dependem de muitos fatores como o tipo de tumor, sua localização, estágio da doença, idade do paciente, entre outros.

    No texto a seguir abordamos como cada tratamento impacta na fertilidade, podendo causar danos aos gametas sexuais e aos órgãos reprodutivos. Além disso, veremos como o combate ao câncer também pode acarretar em alterações hormonais e uterinas impedindo que uma gravidez aconteça. 

    Compreendendo o Impacto dos Tratamentos Oncológicos na Fertilidade 

    O diagnóstico de câncer é sempre devastador e traz muito medo, ansiedade e dúvidas.  Além da preocupação em recuperar a saúde, as pessoas que enfrentam um tratamento oncológico têm receio também sobre os impactos na fertilidade que os remédios e procedimentos cirúrgicos poderão causar. Nesse sentido, é importante ressaltar que nem todos os tratamentos oncológicos necessariamente afetam a fertilidade, entretanto, algumas radioterapias, quimioterapias e cirurgias podem levar à infertilidade. 

    Isto acontece, pois a ação da radioterapia e de muitos quimioterápicos afetam as células dos ovários e dos testículos, prejudicando a função reprodutiva. Além disso, cirurgias para retirada de útero, ovários e testículos também impactam na fertilidade. 

    Quimioterapia e Radioterapia: Efeitos na Capacidade Reprodutiva 

    É sabido que os tratamentos oncológicos como quimioterapia, radioterapia e cirurgias, podem impactar na fertilidade masculina e feminina. Entretanto, é importante esclarecer que a resposta às medicações variam de pessoa para pessoa, e dependem do tipo de câncer, do estágio da doença, entre outros fatores.

    Veja abaixo como cada tratamento oncológico pode impactar a fertilidade:

    Quimioterapia:

    Nas Mulheres:  Alguns tipos de quimioterapia podem afetar os ovários,  danificando as células responsáveis pela produção de óvulos. Desta forma, o tratamento pode causar menopausa precoce ou diminuição  da reserva ovariana. Nesse sentido, o impacto vai depender do tipo de quimioterapia, da dose e da idade da paciente

    Nos Homens: No caso  dos pacientes masculinos, alguns quimioterápicos podem prejudicar a produção de espermatozoides levando à infertilidade temporária ou permanente.

    Radioterapia:

    Nas Mulheres: Dependendo da região onde a radiação é feita, ela pode danificar os ovários, afetando a produção de óvulos. Desta forma, a paciente pode sofrer  diminuição da reserva ovariana ou até entrar em menopausa precoce.

    E também pode comprometer a vascularização uterina que pode dificultar a implantação embrionária 

    Nos Homens: Quando a  radiação é dirigida à região pélvica e aos testículos, o tratamento pode impactar na produção de espermatozoides. Desta forma, o homem tende a ficar infértil de forma temporária ou permanente.

    Cirurgia:

    Nas Mulheres: As cirurgias para remoção de órgãos reprodutivos, como ovários ou útero, afetam diretamente a fertilidade feminina. Além disso, procedimentos cirúrgicos que comprometem o suprimento sanguíneo para os ovários também são prejudiciais.

    Nos Homens: As cirurgias que promovem a remoção de testículos ou que afetam o sistema reprodutivo masculino podem levar à infertilidade.

    Terapia hormonal:

    Já a terapia hormonal que às vezes  faz parte de tratamentos oncológicos podem afetar o equilíbrio hormonal impactando na fertilidade masculina e na feminina.

    Estratégias de Preservação da Fertilidade para Pacientes Oncológicos

    Os pacientes oncológicos que desejam ter filhos um dia devem avaliar, junto aos médicos, as possibilidades de preservar a fertilidade. Assim, dependendo do caso, através da oncofertilidade podem ser realizados procedimentos para resguardar a fertilidade feminina ou masculina antes de iniciar os tratamentos. 

    Veja como preservar a fertilidade de pacientes oncológicos:

    Em homens:

    Congelamento do sêmen 

    Neste procedimento o sêmen é coletado através de masturbação ou punção testicular e congelado em nitrogênio a -196ºC por tempo indeterminado. Desta forma, no futuro, o material pode ser descongelado e usado em tratamentos como Inseminação Artificial(IA) ou Fertilização in Vitro (FIV).

    Congelamento do tecido dos testículos 

    Ainda em fase experimental, o congelamento de tecido testicular é feito quando a quantidade de espermatozoides no sêmen está comprometida. Ou em pré-penetra. Nestes casos, é realizada uma biópsia e o tecido é congelado para ser usado no futuro.

    Em mulheres:

    Congelamento de óvulos

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos gametas femininos em nitrogênio líquido, por meio de vitrificação. Para tanto, a paciente primeiro passa pelo processo de indução de ovulação com o objetivo de promover o amadurecimento de um maior número de folículos. Desta forma, quando estiverem no tamanho esperado é realizada a coleta dos óvulos e o seu congelamento.

    Entretanto, algumas pacientes oncológicas não podem receber os hormônios convencionais. Nesses casos, se usam medicações específicas, além de existir a possibilidade de coleta de óvulos imaturos que podem ser maturados em laboratório pela técnica de Maturação in Vitro e posteriormente congelados por tempo indeterminado.

    Congelamento de embriões

    Da mesma forma que o congelamento de óvulos preserva a fertilidade feminina, o congelamento de embriões também cumpre esse objetivo. Para isso, após a coleta dos óvulos é realizada a Fertilização in Vitro, ou seja, a união dos gametas masculinos e femininos em ambiente laboratorial. Desta forma, após formados os embriões, estes são criopreservados para serem usados em uma futura gravidez. 

    Congelamento de tecido ovariano

    O congelamento de tecido ovariano é indicado para pacientes oncológicas jovens que ainda não entraram na puberdade e assim não têm óvulos para serem coletados. Da mesma forma, essa técnica também pode ser usada por mulheres que não podem passar por indução da ovulação com hormônios. A expectativa dessa técnica é que o tecido possa ser reimplantado após o tratamento do câncer.

    Transposição dos ovários

    Outra técnica possível para a preservação da fertilidade da mulher é a transposição dos ovários. Este procedimento é indicado para mulheres que irão necessitar de radioterapia na região pélvica, o que pode afetar os ovários, e consequentemente, a reserva ovariana.

    Nesses casos, através de videolaparoscopia é possível mudar temporariamente o lugar dos ovários colocando-os em regiões mais elevadas, protegendo das radiações pélvicas. 

    Decisões Informadas: Consultando Especialistas em Fertilidade e Oncologia 

    É muito importante que as pessoas que recebem diagnóstico de câncer consultem , além do oncologista, um especialista em fertilidade. Juntos, os médicos podem avaliar, de acordo com cada caso, as formas viáveis de preservar a fertilidade sem comprometer a eficácia do tratamento contra o câncer.

    Além disso, a colaboração entre os especialistas contribui para que os pacientes entendam de forma ampla a sua condição. Desta forma, as pessoas que irão enfrentar um tratamento oncológico  podem tomar decisões informadas e conscientes sobre seu planejamento familiar. 

    Pois muitos cânceres têm cura e não podemos esquecer que estás pacientes tem um futuro com grandes possibilidades.

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