A técnica denominada de Maturação in vitro de oócitos ou “IVM” (sigla inglesa para in vitro maturation) consiste na captação de óvulos imaturos e seu subseqüente amadurecimento em laboratório. Após imersão em meios de cultura especiais, estes atingem o estágio de metáfase II (MII), sendo então fertilizados e transferidos os pré-embriões para o útero da paciente. As vantagens da técnica IVM são várias. Os casos mais beneficiados são os de mulheres portadoras de ovários policísticos, pois não necessitam serem submetidas à estimulação ovariana para a fertilização in vitro clássica, evitando assim os riscos de uma resposta ovariana exagerada, quadro denominado de “Síndrome da Hiperestímulação Ovariana”, complicação que ocorre em aproximadamente 5% dos casos e pode ser grave, podendo levar até a uma hospitalização.

O método também pode ser aplicado em mulheres que apresentam vários pequenos folículos na ultra-sonografia, mas não têm a síndrome. Dentre as vantagens da IVM, merece ênfase o menor custo, quarenta a 50% menor, uma vez que não há necessidade do uso de gonadotrofinas (hormônios usados para a estimulação dos ovários). Outra vantagem é que o acompanhamento é bem mais simples, usualmente sendo requisitado o comparecimento da paciente às clínicas de fertilização em um menor número de vezes, o que favorece o atendimento dos casais de cidades e estados que não contam com serviços especializados. Na realidade, o conceito da técnica já existe há várias décadas. Mas, só recentemente, com o desenvolvimento de equipamento de ultrassonografia de alta resolução, agulhas apropriadas e, principalmente, meios de cultura específicos para este fim, é que foram obtidas taxas de gestação mais animadoras.

O Centro de Reprodução Nilo Frantz vem se dedicando à implementação da IVM desde 2005. Entretanto, foi em 2007 que a primeira gestação com IVM ocorreu, culminando em agosto de 2008 com o nascimento do primeiro bebê pela técnica no Brasil. A este já se somam outros nascimentos com o auxílio do Centro de Reprodução Humana Nilo Frantz. Embora para o casal, o tratamento seja mais simples, exige da instituição profissionais altamente especializados e grande investimento em tecnologia. Para se ter uma idéia de quanto a implementação da metodologia é complexa, o primeiro nascimento com essa mesma técnica na Inglaterra ocorrera somente um ano antes, em 2007.