Carla Basso, embriologista do Centro de Reprodução Humana Nilo Frantz esteve em Bruxelas, Bélgica, participando do encontro sobre ”Maturação do Oocito: do Básico a Clínica”- (Oocyte maturation: from basics to clinic).

O workshop que reuniu embriologistas, cientistas clínicos e de laboratórios promoveu as últimas atualizações em Maturação de Oocitos ( IVM – Maturação In Vitro).Especialistas apresentaram os aspectos mais importantes da biologia da maturação do oocito, fazendo uma revisão geral sobre os mais recentes conhecimentos na área. O encontro irá destacou também as novas tecnologias para IVM e a sua prática pelo mundo.

Este evento que aconteceu entre os dias 3 e 5 de Março foi promovido pelo SIG- Special Interest Group- Embriology ,uma subdivisão do ERHRE- Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia.

A saber:
A maturação in vitro é uma técnica de reprodução assistida especialmente recomendada para casais que desejam engravidar e que a mulher apresenta os ovários com padrão policístico.
Ao serem submetidas à estimulação ovariana com hormônios injetáveis, o que ocorre na fertilização in vitro tradicional (FIV clássica), algumas destas pacientes acabam desenvolvendo um quadro conhecido como “Síndrome da Hiperestímulação Ovariana”, uma complicação presente em aproximadamente 5% dos casos. Isto porque os ovários aumentam muito de volume e é verificado um acúmulo de líquido dentro do abdômen. Como consequência podem ocorrer dor, inchaço abdominal, náuseas, vômitos e dificuldade respiratória, sendo necessária até mesmo a hospitalização, explica Dr. Nilo Frantz, especialista em Reprodução Humana e responsável pelo tratamento de Niruana nas duas gestações.
Dr. Nilo comenta que o conceito da técnica IVM já existe há algumas décadas, mas só recentemente, com a evolução dos equipamentos de ultrassonografia, de materiais apropriados e, principalmente, de meios de cultura específicos para este fim, é que foram obtidas taxas de gestação animadoras. O Centro de Reprodução Nilo Frantz começou a desenvolver a IVM em 2005 e a primeira gestação ocorreu em 2007, o que resultou no nascimento de Nicole Vitória, o primeiro bebê por IVM do Brasil. Para se ter uma ideia do feito, à época, países como Inglaterra e Portugal ainda não apresentavam nenhum caso bem-sucedido com a técnica.

PARA QUEM É INDICADO A IVM
* Casais com indicação de FIV em que a mulher tem ovários policísticos (micropolicísticos) e menos de 35 anos;
* Mulheres com ovários policísticos que não tiveram resposta aos comprimidos indutores da ovulação (como por exemplo o citrato de clomifeno);
* Mulheres que já tentaram a fertilização in vitro e apresentaram episódio(s) de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana.

SAIBA COMO É
1 – Os óvulos são retirados do ovário ainda imaturos através de uma punção com anestesia. Colocados em placa de cultivo, são mantidos durante 24 a 48 horas em condições que reproduzem, em laboratório, as condições ideais para a sua maturação;
2 – Quando os óvulos atingem o seu amadurecimento estão prontos para serem então fertilizados com os espermatozoides do cônjuge;
3 – Alguns dias após, os embriões são colocados no útero da futura mãe, de forma similar ao que acontece nos ciclos convencionais de fertilização in vitro.

VANTAGENS DA IVM PARA QUEM TEM INDICAÇÃO MÉDICA
* O custo final do tratamento pode ser reduzido em até 50%;
* A paciente não precisa se submeter à rotina de injeções de hormônios;
* Elimina por completo o risco de ocorrer a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana;
* Acompanhamento mais simples, sendo necessário um menor número de comparecimento às clínicas, o que facilita o atendimento de casais de cidades e Estados que não contam com serviços especializados.