ID 2978.2Ana Luiza, cinco anos, tem aplasia medular, uma doença rara e autoimune onde a medula deixa de fabricar, ou produz em menor quantidade, os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo, os glóbulos vermelhos, que são responsáveis pelo desempenho físico e as plaquetas, que evitam hemorragias. Em alguns casos, como o de Ana Luiza, os tratamentos para a doença não são eficazes e somente um transplante de medula óssea é uma possibilidade de cura.

A chance de encontrar um doador compatível é de um a cada 100 mil doadores, mesmo assim Gerciani e Alex, os pais de Ana Luiza, fizeram uma busca nos bancos de medula por quase dois anos. Sem sucesso, tomaram a decisão de promover uma gestação com a possibilidade concreta de ter um doador compatível com Ana Luiza. Em 2012, Gerciani e Alex escolheram o Centro de Reprodução Humana Nilo Frantz para realizar o tratamento.

Após uma avaliação criteriosa do caso e respaldados pelas normas éticas publicadas pelo Conselho Federal de Medicina, os especialistas da clínica decidiram indicar o procedimento de Fertilização in vitro com Diagnóstico Genético Pré-implantacional, para selecionar um embrião HLA compatível. Este foi o primeiro caso no Rio grande do Sul e o segundo no país.

Antônia, o bebê gerado para ajudar Ana Luiza, nasceu em junho do ano passado e o transplante entre as irmãs foi realizado, com êxito, na última sexta-feira (29). O procedimento iniciou às 15h08min e terminou às 16h02min. O próximo passo é o momento em que o novo sistema imunológico passe a operar no corpo da receptora, este tem prazo de 21 dias após o transplante para ocorrer.

Conforme a matéria publicada na Zero Hora da última segunda-feira (1), a previsão de internação é mais 40 a 60 dias e antes de voltar às atividades normais, Ana Luiza terá de refazer todas as vacinas, como se tivesse nascido de novo.

O transplante de medula óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemias e outras doenças do sangue e do sistema imune. Para se cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea – REDOME, o candidato a doador deverá procurar o hemocentro mais próximo onde será esclarecido dúvidas a respeito das doações e será feita a coleta de uma amostra de sangue (10ml) para a tipagem HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador). Os dados são inseridos no cadastro do REDOME, para que a cada novo paciente a compatibilidade seja verificada.