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A edição de janeiro de 2015 da revista científica americana Fertility & Sterility descreve pela primeira vez no mundo o nascimento de um bebê acometido por endometriose. A doença, diagnosticada sobretudo em mulheres após os 30 anos de idade, foi suspeitada em um exame de ultrasonografia realizado por médicos do Geisinger Medicar Center, na Pennsylvania, durante a 35ª semana de gestação e confirmada logo após o nascimento. Definida como uma doença inflamatória que acomete especificamente as mulheres, a endometriose se caracteriza pela presença de endométrio, tecido responsável pela menstruação, fora do útero. Os órgãos mais acometidos são os ovários, as trompas, os intestinos e o aparelho urinário. É comum também serem identificados focos no peritônio, membrana que reveste internamente o abdome. Em raros casos o problema é identificado em outras partes do corpo, como na pele e nos pulmões. A reação inflamatória causada pelo sangramento faz com que a doença seja responsável por muitos dos casos de dor pélvica e de infertilidade. Estima-se que quase 200 milhões de mulheres em idade reprodutiva sejam acometidas pela endometriose no mundo.

Embora a sua origem ainda seja desconhecida, algumas teorias tentam explicar o surgimento da endometriose. Dentre estas, as mais aceitas são o fluxo menstrual retrógrado (a ocorrência de sangramento menstrual em direção ao interior do abdome), a disseminação através da circulação linfática e a transformação de células-tronco embrionárias em células de endométrio ectópicas, ou seja, situadas fora do útero. Pois, justamente é esta última tese que ganha força com a publicação da revista Fertility & Sterility deste mês, da Sociedade Americana de Reprodução Assistida.

A edição traz o relato de médicos americanos do Geisinger Medicar Center, na Pennsylvania, que ao acompanhar o pré-natal de uma gestante de 18 anos verificaram que o bebê, de sexo feminino, apresentava imagem cística no seu abdome em ultrassonografia realizada com 35 semanas. A monitorização ao longo das últimas semanas de gestação demonstrou o crescimento da referida lesão. Com apenas 2 dias de vida, a recém-nascida foi submetida à cirurgia, sendo verificado que se tratava de um cisto no ovário esquerdo com conteúdo sanguinolento associado à endometriose.

O bebê felizmente se recuperou bem do procedimento, mas o relato entrou para a história da Medicina como o primeiro caso documentado de endometriose identificada durante a vida intra-uterina.

 

Texto: Marcos Höher
Especialista em reprodução humana
CRM/RS 18876