Congelamento de óvulos: preservando a fertilidade

Cresce no Brasil a procura pelo “congelamento de óvulos”. A técnica, inicialmente desenvolvida para pacientes com indicação de retirada dos ovários, quimio ou radioterapia, recentemente tornou-se uma alternativa para a mulher na faixa dos 30 anos tentar driblar o relógio biológico, preservar a fertilidade e adiar a sua gravidez.

Disseram que é difícil engravidar com ovários policísticos. É verdade?

Os ovários com padrão “policístico” (micropolicístico ou micropolicístico) estão presentes em aproximadamente 10% das mulheres em vida reprodutiva (período compreendido entre a 1ª menstruação e a menopausa). Muitas destas, ovulam regularmente e podem engravidar até com grande facilidade. Existe porém, parcela significativa de mulheres com Ovários Policísticos que não ovulam (“anovuladoras”) e, por conseguinte, são inférteis. É frequente também ocorrerem casos de ovulação muito esporádica, ou seja, mulheres que ovulam pouquíssimas vezes ao longo de um ano, apresentando ciclos irregulares e, consequentemente, com baixa probabilidade de engravidar espontaneamente (“subférteis”).

Portanto, as reais chances de uma mulher portadora de Ovários Policísticos engravidar somente poderá ser fornecida após cuidadoso enquadramento em um dos grupos anteriormente citados, prognóstico este, somente feito adequadamente pelo Ginecologista ou pelo Especialista em Reprodução Humana. Cabe ao profissional da área diagnosticar e, quando necessário, tratar individualmente cada caso.

É possível ter filhos após a ligadura das trompas ou a vasectomia?

Sim. Embora considerados métodos anticoncepcionais definitivos e altamente eficazes, existem opções terapêuticas capazes de permitir que um casal em que um, ou até mesmo, os dois cônjuges tenham feito a ligadura das trompas (ou laqueadura tubária) e/ou a vasectomia engravide. Dependendo da idade da mulher ou do tempo transcorrido após a vasectomia, é possível ter um prognóstico otimista quanto as chances de gestação. Portanto, através do adequado apoio médico, pode um casal reverter uma expectativa negativa quanto a probabilidade de ter seu(s) filho(s).

Por que não engravido com a fertilização in vitro?

Um dos maiores avanços da medicina nas últimas décadas foi o desenvolvimento das técnicas de reprodução humana assistida. Dentre os diferentes tratamentos, a fertilização in vitro (FIV) foi o que mais contribui para que milhares de casais pudessem engravidar e terem os seus filhos.

O nascimento do primeiro bebê de proveta ocorreu em 1978, na Inglaterra. Inicialmente o método estava indicado apenas para mulheres com problemas nas trompas. Se no início a chance de gravidez era muito pequena, hoje contamos com taxas de gestação bem maiores, mas que ainda não ultrapassam, nos casos mais favoráveis, índices de 50 a 60% por tentativa. Mas, dependendo de fatores como a idade da mulher ou o grau de severidade do problema os índices de sucesso são inferiores a 10%.

Muitos casais têm a felicidade de engravidar em uma primeira fertilização. No entanto, alguns precisam repetir o tratamento e, às vezes, é necessário fazer várias tentativas até o bebê chegar. Quando o tratamento dá certo, tudo é alegria. Mas, e quando não deu certo, o que pensar? Não é fácil passar por um tratamento que geralmente é desgastante fisicamente, financeiramente e, sobretudo, emocionalmente para depois se defrontar com um resultado frustrante. Se tudo o que foi orientado foi feito, por que não engravidei? Sem dúvida esta é a primeira pergunta que vem à tona. Tão frustrante quanto o tratamento não dar certo é não ter uma explicação convincente de por que o tratamento não deu certo.

No Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz tanto a perda de uma gestação natural quanto o insucesso em uma tentativa de FIV são amplamente investigados. O objetivo desta pesquisa é identificar o motivo pelo qual o casal teve um desfecho gestacional mal sucedido, tentando assim evitar a repetição da dolorosa experiência.
Dentre as causas mais comuns que levam a falhas na fertilização in vitro temos:

Alterações imunológicas

Existe um grande número de anormalidades no funcionamento do sistema imunológico que podem impedir a adequada implantação de embriões no ambiente uterino. Através da realização de exames de sangue altamente especializados, faz-se hoje possível diagnosticar e tratar tais alterações. Depois de adequada investigação, frequentemente são diagnosticadas elevações nos níveis de células natural killers (NK) ou de anticorpos do tipo anti-fosfatidilserina, anti-cardiolipina, anti-tireoglobulina, entre outros. Além da síndrome anti-fosfolípides, mutações em gens como o MTHFR, da protrombina e do fator V de Leiden também podem ser avaliadas. Os tratamentos variam desde o uso de comprimidos de ácido fólico, prescrição de corticóides, até a necessidade do uso diário de injeções subcutâneas de enoxaparina sódica. Em alguns casos específicos, pode estar indicada a administração de imunoglobulina humana endovenosa ou de imunizações com linfócitos paternos.

Alterações uterinas

Através de exames como a ultra-sonografia transvaginal de alta resolução, a histerossonografia, a ressonância nuclear magnética, a histerossalpingografia e a histeroscopia é possível diagnosticar e tratar problemas que levem às falhas de implantação embrionária. Anormalidades como endometrite, pólipos endometriais, miomas submucosos ou sinéquias podem ser identificadas e tratadas.

Alterações cromossômicas e genéticas

Significativo percentual dos embriões gerados, seja naturalmente, seja mediante tratamento, apresenta anomalias em seus gens ou cromossomas, o que acabar por impedir o desenvolvimento de uma gestação normal. Sucessivos abortamentos ou repetidas falhas em fertilizações in vitro podem ser decorrentes deste tipo de alteração. Além da análise por cariótipo do homem e da mulher, hoje dispomos de uma série de métodos capazes de identificar o problema. Destacam-se o estudo do material nos casos de abortamento, o diagnóstico genético pré-implantacional (PGD/PGS) e o array-CGH, estes últimos capazes de rastrear alterações cromossômicas e gênicas no estágio embrionário, antes mesmo da implantação da gestação no útero da futura mãe. O método array-CGH, por exemplo, está permitindo revelar milhares de alterações gênicas que até então não eram nem sequer suspeitadas. Algumas começam a ser descobertas e descritas na literatura médica somente agora. Este exame, quando indicado, analisa embriões no estágio de blastocisto (5º dias pós-fertilização in vitro) e exclui alterações gênicas imperceptíveis no estudo do cariótipo, elevando assim a taxa de gestação para até 60% por tentativa.

Alterações na qualidade dos gametas (óvulos e espermetozóides)

A qualidade dos gametas femininos (óvulos) e masculinos (espermatozóides) influencia diretamente nas taxas de gravidez. O embrião é o resultado da fusão destas duas células germinativas. Basta uma ser alterada para não ocorrer a fecundação ou haver o desenvolvimento inicial de um embrião que não resultará em gestação evolutiva. No caso dos óvulos, verifica-se com o passar da idade o aumento no percentual de anômalos. Tal queda na qualidade se acentua após os 35 anos. Mas, mesmo mulheres jovens podem ter problemas desta ordem. Fatores agravantes são o tabagismo, o uso de drogas, o contato com substâncias químicas tóxicas e uma alimentação inadequada, sobretudo, a ingestão frutas e verduras com pesticidas. No caso do homem, verifica-se no exame espermocitograma uma parcela significativa de distúrbios na quantidade, na motilidade e/ou na morfologia dos espermatozóides. Exames como o teste de fragmentação do DNA espermático, por exemplo, podem quantificar se há ou não um comprometimento acentuado na cromatina. A superampliação da imagem dos espermatozóides em até 16 mil vezes (técnica denominada de IMSI ou, no Brasil, de super-ICSI) tem auxiliado os embriologistas a selecionarem os melhores espermatozóides.

Um dos principais quesitos para o sucesso do tratamento é o controle rigoroso da qualidade vigente no laboratório de reprodução assistida. Os investimentos em equipamentos e insumos, bem como na constante qualificação da equipe são fatores que, embora não estejam ao alcance da avaliação dos casais, tem estreita relação com o sucesso dos ciclos de fertilização in vitro.

Quais são as causas mais freqüentes de infertilidade conjugal?

Aproximadamente 30% dos casos de Infertilidade Conjugal são devido a algum tipo de alteração presente somente na mulher. Outros 30% são devidos a alterações encontradas exclusivamente na fertilidade do homem. Quarenta por cento dos casos são devidos a alterações na fertilidade de ambos os cônjuges. Em 10% dos casos ainda não é possível identificar o fator que está causando a dificuldade para o casal engravidar, condição esta denominada de Esterilidade sem causa aparente (ESCA).Na mulher, as alterações mais frequentemente encontradas são: alterações da ovulação (como as encontradas nos casos de ovários micropolicísticos), endometriose e as obstruções tubárias (parciais ou completas). Uma situação cada vez mais frequente é a diminuição da reserva ovariana (queda na quantidade e na qualidade dos óvulos), ocorrida fisiologicamente com o passar da idade. São os casos das mulheres que estão cada vez mais postergando sua gestação para privilegiar o lado profissional e/ou acadêmico. No homem, as alterações mais comumente verificadas são na quantidade, na forma ou na capacidade dos espermatozóides se movimentarem. Com o surgimento da avaliação do DNA dos espermatozóides, foi possível verificar que este tipo de alteração também é frequente. É crescente o número de casos em que ocorre novamente o desejo de ter filhos após uma cirurgia de Vasectomia, havendo para estes casos muitas vezes solução. Com o avanço dos estudos no campo da Reprodução Humana, faz-se possível cada vez identificar o motivo pelo qual uma gestação não ocorre espontaneamente. Acredita-se que com o surgimento de novos métodos diagnósticos, como por exemplo a investigação do “Fator Imunológico”, do Índice de Fragmentação do DNA Espermático e da avaliação do HLA-G solúvel, o clássico índice de 10% para os casos de ESCA, hoje em dia seja bem menor.

Tenho endometriose. Poderei engravidar naturalmente?

Endometriose é a existência de células endometriais em outros locais do corpo da mulher que não no local apropriado (revestindo internamente o útero). Todo o mês, o aparelho reprodutor feminino se prepara para uma possível gestação. Não ocorrendo a fecundação, esta camada constituida por células endometriais (denominada de endométrio) desprende-se do útero e dá origem ao sangramento menstrual. O organismo feminino então, sabiamente, se prepara mensalmente para receber uma gestação com uma nova camada de células. A mesma não sendo aproveitada, acaba sendo desprezada. Apesar de ser uma patologia muito freqüente e, consequentemente, muito estudada, diversas dúvidas ainda restam a serem esclarecidas sobre a Endometriose. Até hoje ainda não se sabe claramente, por exemplo, qual a origem desta alteração. Um dos principais problemas da Endometriose é a sua sintomatologia variável, verificando-se desde casos completamente assintomáticos (forma silenciosa) até os quadros de dor muito intensa. Comumente esta patologia tem como 1ª e única manifestação a Infertilidade, ou seja, a mulher acaba descobrindo que é portadora de endometriose através da busca pelo fator que está impedindo que uma gestação ocorra. Estima-se que grande parcela das mulheres inférteis tenham endometriose, uma vez que a mesma pode aumentar em até 20 vezes o risco de ocorrer a Infertilidade. Embora seja possível engravidar apresentando esta patologia, principalmente no acometimento por graus leves, recomenda-se o aconselhamento por parte do Ginecologista ou de um Serviço Especializado na área de Reprodução Humana para auxiliar no planejamento do futuro reprodutivo da mulher, mesmo que esta não deseje ter filhos a curto prazo.