Por que as alterações nas trompas impedem ou dificultam a gravidez?

Inflamações, infecções, cirurgias e cicatrizes não só afetam a permeabilidade tubária, ocasionando uma obstrução uni ou bilateral, mas também lesam os seus cílios e, assim, a sua capacidade de transporte. As células que revestem internamente as trompas devem também secretar um muco nutritivo, responsável pela nutrição do embrião nos seus primeiros dias após a fecundação. Esta função encontra-se muitas vezes prejudicada. Outro problema observado é a perda da capacidade da extremidade tubária de se voltar para o ovário e “abraçá-lo”, não podendo assim receber o óvulo por este liberado. O que se vê muitas vezes são trompas fixas e distantes dos ovários, direcionadas para um sentido oposto ao que se encontra o ovário. As alterações podem ser leves e responsáveis por uma demora maior para engravidar. Mas, freqüentemente as lesões são severas e impedem completamente a ocorrência da gestação.

O que são as trompas uterinas e qual a sua função?

As trompas são duas estruturas finas e delicadas situadas na região superior do útero. Têm como finalidade receber o óvulo liberado durante o fenômeno da ovulação e permitir o seu encontro com o espermatozóide, ou seja, é dentro das trompas que ocorre a fecundação natural (in vivo). Durante o período fértil devem colaborar para a ascensão dos espermatozóides e, após a fecundação devem fazer com que o embrião recém-fecundado seja nutrido e role impulsionado pelo movimento de milhares de cílios que a revestem internamente em direção à cavidade do útero.

Tenho uma amiga que também tem problemas nas trompas. Isto é comum?

Cerca de 35% dos casos de infertilidade feminina se devem aos problemas tubários.

O que leva as trompas a ficarem obstruídas?

Grande parte dos casais que buscam auxílio médico para engravidar tem como diagnóstico da infertilidade, o fator tubário. A obstrução das trompas é causada mais comumente por endometriose, pela formação de aderências (cicatrizes) após cirurgias, pelas infecções pélvicas ocasionadas por microorganismos como a clamídia ou pela ligadura (laqueadura) tubária. No Brasil tem se verificado nos últimos anos um aumento no número de casos de mulheres que realizaram a cirurgia de ligadura tubária e, por motivos diversos, acabam desejando novamente ter um novo bêbe.

Como se avalia se as trompas estão normais ou não?
Basicamente existem 2 métodos diagnósticos capazes de verificar a funcionalidade das trompas uterinas: Histerossalpingografia: exame radiológico realizado por Hospitais e clínicas de diagnóstico por imagem que, após a introdução de um líquido de contraste radiopaco, permite a visualização e a documentação da passagem do mesmo pelo aparelho reprodutivo, simulando o trajeto percorrido pelo sêmen. Através da histerossalpingografia analisa-se o canal cervical, a cavidade do útero, a permeabilidade das trompas e a dispersão do contraste no abdome.
Trata-se de um exame de difícil interpretação, muitas vezes variando muito o diagnóstico emitido de profissional para profissional. Outra limitação é o não seguimento dos corretos preceitos técnicos para a sua correta realização. As queixas de desconforto ou dor por parte das pacientes submetidas a este exame não são raras. Apesar disto, ainda hoje consiste em um exame muito solicitado para a avaliação do fator tubário.
Vídeolaparoscopia: exame realizado em ambiente hospitalar que, sob anestesia geral, permite visualizar através de imagens o interior do abdome e identificar a anatomia do aparelho reprodutivo. É o exame mais preciso para avaliar a integridade das trompas e diagnosticar uma série de anormalidades, como é o caso da endometriose. Trata-se de um exame realizado em ambiente hospitalar e que requer anestesia geral.
Vale a pena operar as trompas?
Após a cirurgia, a trompa freqüentemente volta a ficar permeável, mas não consegue ter o mesmo desempenho (normalidade anatômica e funcional) que apresentava antes. Por este motivo, muitas vezes a repermeabilização das trompas ocorre, mas a gestação não. Existe também a possibilidade de ocorrer, em um curto intervalo, nova obstrução, desta vez por fibrose (cicatrização) e um risco maior de gestação ectópica (tubária).
No passado, quando as taxas de sucesso com a fertilização in vitro (FIV) eram bem mais baixas, muitas vezes optava-se pela cirurgia. Hoje em dia, com melhores resultados através da FIV, cada vez menos se realiza a cirurgia tubária. Esta ainda encontra seu espaço nos casos em que a mulher é bem jovem e o casal não tem recursos para custear a FIV. Importante salientar que após a realização da cirurgia faz-se necessário aguardar vários meses ou, até mesmo, alguns poucos anos para verificar se a gravidez ocorre ou não. O surgimento de uma gestação é única prova efetiva de que o tratamento cirúrgico de desobstrução das trompas realmente foi efetivo.
Fiz ligadura das trompas há alguns anos. O que devo fazer para engravidar de novo?
Muitas das mulheres que realizam a laqueadura tubária acabam alguns anos depois desejando novamente engravidar. Esta mudança de expectativa se deve basicamente por 3 motivos: arrependimento e o ressurgimento do desejo de ser mãe, a perda de um filho ou, o que é mais freqüente, o ingresso em um novo relacionamento. Nestes casos a técnica indicada é a fertilização in vitro (FIV).
A chance do tratamento dar certo vai depender de uma série de fatores, sendo o principal a idade da mulher. Quanto mais jovem for realizada a FIV, melhor. Após os 40 anos, mesmo sendo saudável e já tendo filhos as chances de engravidar são significativamente menores.