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A fertilidade masculina é o resultado do amadurecimento de diversas células, que estão dentro dos testículos, até a fase final de espermatozóides, que depois de maduros precisam ser ejaculados no sêmen durante o ato sexual.

Atualmente, temos visto um aumento da incidência de problemas na fertilidade dos homens. Existem diversos fatores associados a esta diminuição e vamos apresentá-los a seguir. Incialmente vamos falar do câncer do testículo. Sabemos que este tipo de tumor está associado com uma menor fertilidade dos homens afetados tanto por alteração na produção dos espermatozóides quanto pela necessidade de retirada de um ou dos dois testículos para o seu tratamento. Como a incidência deste tipo de câncer vem aumentando, consequente a fertilidade masculina vem diminuindo. Está ocorrendo um aumento deste câncer nos países desenvolvidos, principalmente naqueles com ascendência européia do norte, como a Dinamarca, Noruega e Nova Zelândia, assim como nos estados americanos do meio-oeste e noroeste, que possuem está influência racial. Alguns países, onde este tumor tinha baixa incidência como Itália, Espanha e Finlândia, também estão tendo suas taxas em elevação.

Outro fator que vem aumentando de incidência é o criptorquidismo, ou seja, aquele testículo que não desceu até a bolsa escrotal quando do nascimento dos meninos. O criptorquidismo é responsável por uma diminuição da fertilidade masculina e se sua incidência está aumentando, a fertilidade dos homens está diminuindo. A incidência do criptorquidismo aumentou quase 800% nos últimos 50 anos, passando de 1,8% para 8,5%, fato este mais visto nos países do hemisfério norte.

Estudos que avaliaram os níveis sanguíneos de testosterona, nos últimos 20 anos, também revelaram que está havendo uma redução no nível médio deste hormônio nos homens. Como a testosterona é importante para a formação dos espermatozóides, esta produção está, consequentemente, sendo reduzida.

Quando analisamos os estudos que avaliaram especificamente o sêmen dos homens, também encontramos uma redução da fertilidade. Estudos mostraram uma piora de 1,5% ao ano nos Estados Unidos e de 3% ao ano na Europa, avaliando o período dos anos 30 até o final dos anos 90. Também houve uma redução da fertilidade nos seguintes países: Israel (entre 1995 a 2009), Tunisia (1996 a 2007) e Escócia (1994 a 2005). Nos Estados Unidos, houve uma maior diminuição da fertilidade nas áreas rurais e vizinhas que nas áreas urbanas., nos últimos 20 anos. Neste mesmo período, houve uma redução da fertilidade masculina de 20% na Finlândia e de 15% na Espanha, mas não houveram mudanças nas estatísticas da Suécia e Dinamarca.

Em julho deste ano foi publicado um enorme estudo que avaliou mais de 7.500 artigos científicos publicados entre 1973 e 2011 sobre a fertilidade masculina, concluindo que houve um declínio de 59,3% na quantidade de espermatozóides ejaculados no sêmen dos homens da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia. No entanto, não houve esta redução na América do Sul, Asia e África, onde os estudo eram raros e de difícil comparação por métodos muito diferentes. Apesar deste estudo não mostrar redução na fertilidade dos homens brasileiros, este fato deve-se principalmente a falta de dados do nosso país e não por não estarmos vendo esta diminuição na nossa prática diária.

As causas que estão relacionadas a esta diminuição da fertilidade masculina mundo a fora encontram-se nos fatores ambientais, sócio-econômicos e do estilo de vida que a sociedade está vivendo, levando ao maior número de doenças e o aparecimento das mesmas em idades mais precoces, afetando direta e indiretamente a produção e qualidade dos espermatozóides.

Portanto, os futuros papais devem procurar atendimento médico especializado para avaliar sua fertilidade, assim como aqueles que já possuem filhos e desejam ter mais. Contem conosco.

 

Texto: Dr. Caio Schmitt